domingo, 15 de fevereiro de 2009

ACONTECEU O GRUPO DE 07/02/2009



Os participantes puderam tomar consciencia de vários tipos de emoções como raiva, medo, rejeição, carinho, afeto, sensibilidade e amor...

Nas Vivências Tântricas é essencial entrar em contato com essas emoções a fim de eliminar as negativas e preservar as positivas.

O trabalho corporal visa eliminar as couraças energéticas permitindo, assim, um melhor fluxo de energia.

Confira, agora, depoimento de alguns dos participantes:

"O crescimento é sempre grande nos trabalhos de grupo que participo. Me fez sentir com mais clareza aquilo a que estou me dedicando.
A troca de impressões e sentimentos entre os participantes é algo mágico realmente. Nos traz a consciência a importância do outro na nossa evolução integral".

A.L. - SP


"Bem o local é muito aconchegante as pessoas são maravilhosas, me senti a vontade muito bem mesmo.
Sou de falar pouco, mas o que posso dizer é que estou me sentindo muito bem neste momento e com muita vontade de retornar ao local os trabalhos são maravilhosos e os resultados também.O que posso dizer é que todos façam que não irão se arrepender".
I.O. SP

"Participei desta vivência com objetivo de desbloquear programas emocionais instalados em meu coração e no mental. Não criei nenhuma expectativa quanto às atividades que participaria e como seriam desenvolvidas. Apenas me dei a oportunidade da abertura. Me senti amparado por suas Coordenadoras fantásticas, que ancoraram positivamente as energias para cada um dos participantes e no grupo como um todo. No espaço, me senti em casa, completamente à vontade. O grupo em si, heterogêneo, permitiu a diversidade necessária para um máximo aproveitamento individual e coletivo. A paridade homem e mulher, neste sentido, foi perfeita! Aprendi e ensinei. Tem coisa melhor?"
F.L. SP





CONFIRA NO ESPAÇO ALEEMA:

nova programação: www.espacoaleema.com.br


"ESPAÇO ALEEMA" - Rua Assungui, 277 - Alto do Ipiranga - São Paulo-SP
Contato: 11 8591-8812 / 11 9133-8911 e-mail: ma_aleema@hotmail.com

domingo, 6 de julho de 2008

O propósito dos grupos de terapia



O propósito dos grupos de terapia


O propósito dos grupos de terapia é levar os participantes para seus eus naturais? Se for assim, o esforço para ser natural não é artificial? Se não, qual é a diferença essencial entre natural e artificial?

O propósito dos grupos de terapia não é levar os participantes a seus eus naturais — de modo algum. O propósito é levá-los ao ponto onde possam perceber suas artificialidades. Ninguém pode levá-lo a seu eu natural; não pode haver método, técnica ou estratégia que possa levá-lo a seu eu natural, pois tudo que você faça o tornará mais e mais artificial.

Então qual é o propósito de um grupo de terapia? Ele simplesmente o deixa consciente dos padrões artificiais que você desenvolveu em seu ser, ele simplesmente o ajuda a perceber a artificialidade de sua vida, isso é tudo. Ao perceber isso, a artificialidade começa a se dispersar. Percebê-la é aniquilá-la, pois uma vez percebido algo artificial em seu ser, você não pode persistir com aquilo por muito mais tempo. E ao perceber algo como artificial, você também sentiu o que é natural — mas isso é indireto, vago, não claro. O que é claro é isto: você percebeu que algo é artificial em você, e com isso você pode sentir o natural. Ao perceber o artificial, você não pode apoiá-lo mais. Ele existe devido a seu apoio — nada pode existir sem o seu apoio; sua cooperação é necessária.

Se você coopera, algo existe. Certamente o artificial não pode existir sem a sua cooperação. A partir de onde ele obterá a energia? O natural pode existir sem a sua cooperação, mas o artificial não. O artificial precisa de constante suporte, atenção e controle. Uma vez percebido que algo é artificial, sua ligação a ele se torna frouxa, seu punho se abre espontaneamente.

O grupo não é uma estratégia para abrir o seu punho, mas simplesmente para ajudá-lo a perceber que o que você está fazendo não é natural. Nessa própria percepção, a transformação.

Você pergunta: O propósito dos grupos de terapia é levar os participantes para seus eus naturais?

Não, este não é o propósito. O propósito é simplesmente torná-lo consciente de onde você está, do que você fez a você mesmo — que mal você fez continuamente, e ainda está fazendo, que feridas você está criando em seu ser. Em cada uma das feridas está sua assinatura — este é o propósito do grupo, torná-lo alerta sobre a sua assinatura, perceber que ela é assinada por você, que ninguém mais fez isso, que todas as correntes que você tem à sua volta são criadas por você, que a prisão na qual você vive é o seu próprio trabalho; ninguém está fazendo isso para você.

Ao perceber isto, que "estou criando minha própria prisão", por quanto tempo você pode continuar a criá-la? Se você quer viver na prisão, esse é um outro caso — mas ninguém jamais deseja viver na prisão. As pessoas vivem lá porque pensam: "Os outros estão criando as prisões, o que podemos fazer?". Sempre ficam jogando a responsabilidade sobre uma outra pessoa. Através dos tempos, elas criaram novas e diferentes estratégias, mas o propósito permanece o mesmo: jogar a responsabilidade sobre outro alguém.

E você ficará surpreso com as desculpas que o ser humano tem tentado encontrar. Antigamente as pessoas costumavam pensar: "Essa é a maneira que Deus nos fez, então a responsabilidade é dele — o que podemos fazer? Somos apenas criaturas, e somos da maneira que ele nos fez. Temos que viver essa miséria, está destinado a ser assim".

Esse era um truque. Você se livra de toda responsabilidade. Mas acontece que quando um truque é usado por muito tempo, ele se torna um chavão e não funciona mais; as pessoas ficam fartas dele e começam a procurar por novas idéias, mas o propósito permanece o mesmo.

Marx diz que é a sociedade, a estrutura econômica da sociedade — a exploração, os exploradores, os imperialistas, os capitalistas, eles estão fazendo o mal, eles são a razão. Novamente você se livra da responsabilidade. O que você pode fazer? A escravidão é imposta sobre você, você foi feito miserável. A menos que a revolução venha, nada vai acontecer. Assim você pode adiar.

E a revolução nunca vem, ela ainda não aconteceu. Nem na Rússia, nem na China, nem em lugar algum. A revolução nunca vem, ela é apenas um adiamento. As pessoas estão tão infelizes na Rússia quanto em qualquer outro lugar, tão no lamaçal da mente quanto em qualquer outro lugar. A inveja, a raiva, a violência são iguais tanto na Rússia quanto em qualquer outro lugar... nada mudou.

Freud diz que é por causa da educação. Você foi educado de uma maneira errada em sua infância — o que você pode fazer? Isso já aconteceu, agora não há como desfazê-lo. No máximo, você pode aceitar e viver isso, ou pode continuar a brigar desnecessariamente, mas não há esperança.

Freud é um dos maiores pessimistas que jamais existiu. Ele diz que não há esperança para o ser humano, pois o padrão é estabelecido na infância — e para sempre. Então você fica repetindo o padrão, e novamente a responsabilidade é jogada fora. Assim, sua mãe é a responsável. E a mãe pensa, o que ela pode fazer? Sua própria mãe é responsável... e assim por diante.

Essas são todas estratégias, mas o propósito é o mesmo — diferentes estratégias para o mesmo propósito. Qual é o propósito? Tirar a responsabilidade de seus ombros.
A terapia de grupo é para torná-lo consciente que nem Deus nem a sociedade nem seus pais são responsáveis. Se houver alguém que é responsável, é você. Um processo de grupo é um martelar neste simples fato: você é o responsável. E esse martelar tem uma grande importância, pois quando você entende que "Isso sou eu, eu próprio estou fazendo mal a mim mesmo", então as portas se abrem, há esperança e algo é possível.

A revolução é possível através da responsabilidade, da responsabilidade individual. Você pode se transmutar, pode abandonar esses velhos padrões. Eles não são o seu destino, mas se você os aceitar como o seu destino, eles se tornam o seu destino. É tudo uma questão de apoiá-los ou não.

E não estou dizendo que os pais ou a sociedade não fizeram algo a você, lembre-se. A sociedade, os pais, a educação e os sacerdotes fizeram muito. Mas ainda assim, a chave suprema está em suas mãos. Você pode abandonar isso, pode abandonar todo o condicionamento. Tudo que eles fizeram, você pode eliminar, pois no cerne mais profundo sua consciência permanece sempre livre. Esse é o propósito de um grupo de terapia, trazer esta verdade para casa: você é responsável.

"Responsabilidade" é a palavra mais importante num processo de terapia de grupo. Ninguém deseja assumir a responsabilidade, pois ela machuca. Só de perceber: "Sou a causa de minha infelicidade" , machuca muito. Se alguém mais é a causa, a pessoa pode aceitá-la, a pessoa é impotente. Mas se eu sou a causa de minha infelicidade, isso machuca, vai contra o ego, contra o orgulho.

É por isso que a terapia de grupo é um processo difícil e árduo. Você quer escapar — dos grupos Encontro, Tao, Terapia Primal... Por que você quer escapar? Porque você sempre acreditou que estava perfeitamente certo e bem — os outros tem prejudicado você.

Agora toda a coisa precisa ser mudada, você precisa colocar tudo de ponta cabeça. Ninguém está fazendo nenhum mal a você, e se eles estiverem fazendo, é através de sua cooperação. Portanto, no final das contas você é responsável, você escolheu isso. Você diz: "Meu companheiro está me prejudicando" , mas você escolheu este companheiro, e na verdade, somente para que ele possa fazer mal a você. Você queria se prejudicar, por isso escolheu este companheiro, esta companheira.
Observe os homens que ficam mudando de companheiras. Você ficará surpreso — repetidamente eles encontram o mesmo tipo de mulher. É difícil encontrar o mesmo tipo de mulher, mas eles encontram. E dentro de seis meses elas estão de novo se queixando, e as queixas são exatamente as mesmas.

Ouvi dizer de um homem que se casou oito vezes, e repetidamente conseguia encontrar o mesmo tipo de mulher. Perceba o ponto: ele tem um certo tipo de mente, um certo condicionamento. Neste condicionamento, somente um certo tipo de mulher lhe interessa. Uma loira ou uma morena — um certo tipo de mulher lhe interessa. O nariz comprido, os olhos escuros, ou qualquer coisa. Ele fica sempre atraído por um certo tipo de mulher. E então essa mulher começa a fazer as mesmas coisas, e ele fica perplexo, pois estava pensando que estava mudando de mulher.

Você está mudando de mulher, mas não mudou sua mente! Assim, sua escolha permanece a antiga, pois aquele que escolhe é antigo. Isso não vai ajudar; você estará na mesma armadilha. A cor ou o material da armadilha pode mudar, mas a armadilha está lá, e você será constantemente pego. E a mesma infelicidade surgirá.

Terapia de grupo é um grande processo de entender "O que fiz para mim mesmo!". E se você for ainda mais fundo... onde nenhum grupo de terapia já foi, nem mesmo a terapia primal. Mas Buda foi mais fundo; ele diz: "Se você escolheu um certo tipo de pais, isso também é sua escolha".
Perceba o sentido. Milhões de tolos estavam fazendo amor quando você estava pairando para nascer. Mas você escolheu um certo casal — por quê? Você deve ter uma certa idéia; trata-se de sua escolha. E então você diz: "Meus pais me prejudicaram" . Em primeiro lugar, por que você os escolheu? Então sua companheira, seu companheiro. .. e você acha que eles causaram dano? Então a sociedade — quem criou esta sociedade? Você a criou! Ela não vem do nada.

O mendigo na rua não aparece de repente do nada. Nós o criamos. Se você quer ser rico, alguém tem que ser mendigo. E ao ver o mendigo você lamenta muito. A quem você está tentando enganar? E você ainda carrega a idéia de ficar rico. Se você quer ficar rico, alguém vai ser mendigo. Se você quer se tornar alguém, então alguém não será capaz de alcançar essa fama, esse nome. Este é um mundo competitivo. Você não quer guerras, mas você é violento — em tudo. E você condena as guerras.E você viu os pacifistas e suas passeatas? Quão violentos eles parecem! Seus slogans, seus gritos contra a guerra — e mais cedo ou mais tarde a passeata se transforma num tumulto. E eles estão queimando carros, destruindo lojas, incendiando ônibus e trens, atacando a polícia... e eles foram para protestar contra a guerra!

Ora, o que está acontecendo? Essas são pessoas violentas; a guerra é apenas uma desculpa. Seus protestos nada mais são do que suas expressões de violência. Eles não estão preocupados com a guerra, e a estão usando como um pretexto.
Esta sociedade é criada por você, e então você diz que a sociedade é responsável.

Ninguém é responsável, exceto você. Esta é uma das verdades mais difíceis de aceitar, porém quando você a aceita, ela traz grande liberdade e cria grande espaço, pois com isso, uma outra possibilidade imediatamente se abre: "Se eu sou responsável, então posso mudar. Se eu não for responsável, como posso mudar? Se eu próprio estou fazendo isso, então isso machuca, mas também traz uma nova possibilidade — posso parar de me ferir, posso parar de ser infeliz".

Um processo de grupo não é para torná-lo natural, mas para torná-lo ciente de sua falta de naturalidade, de sua falsidade.
O propósito dos grupos de terapia é levar os participantes para seus eus naturais?

Não, de modo algum. O propósito é apenas deixá-los cientes do eu não-natural. E então o eu natural vem espontaneamente. Ninguém pode trazê-lo — quando o artificial desaparece, o natural é encontrado. O natural sempre esteve presente, oculto sob o lixo. Uma vez ido o artificial, você é natural. Você não se torna natural; você sempre foi natural. Como alguém pode se tornar natural? Todo o tornar-se o levará à artificialidade. Se for assim, o esforço para ser natural não é artificial?

Sim, o esforço para ser natural sempre é artificial. Mas entender a artificialidade não é esforço para ser natural; é simplesmente entender. Ao perceber que você esteve tentando tirar óleo da areia, quando você percebe a inutilidade disso, você abandona todo o projeto. Ao perceber que você estava tentando atravessar uma parede e machucou sua cabeça, ao perceber isso, você pára de tentar. Você começa a procurar pela porta.Sim, é exatamente assim.
Se não, qual é a diferença essencial entre natural e artificial?
Natural é aquilo que lhe foi dado como uma dádiva — uma dádiva do todo. O artificial é aquilo que você criou — por ensinamentos, escrituras, caráter, moralidade. O artificial é aquilo que você impôs sobre o natural, o dado. O natural é de Deus, o artificial é de você mesmo. Tire tudo que você impôs sobre você mesmo, e Deus explodirá em mil flores em seu ser.

Alguém pergunta a Jesus: "Qual é a sua mensagem fundamental? ". E ele responde: "Pergunte ao peixe, à ave e à flor".
O que ele quer dizer com isso? Ele está dizendo: Pergunte à natureza!
Minha mensagem é: Permita que a natureza tome posse de você; não tente criar nenhum caráter. Todos os caracteres estão errados. Seja sem caráter. Não crie nenhum tipo de personalidade; todas as personalidades são falsas. Não seja uma personalidade.

Então, lentamente você perceberá algo surgindo do cerne mais profundo do seu ser. Isso é natureza, e sua fragrância é notável; ela é boa, jamais ruim. E ela não é cultivada, de maneira nenhuma. Daí ela não ter qualquer tensão em si, nenhuma ansiedade; você não precisa mantê-la.

A verdade não precisa ser mantida. Somente mentiras precisam ser arranjadas, mantidas, precisam muito cuidado e manutenção; e ainda assim elas são mentiras e nunca se tornam verdades. E somente a verdade liberta.
A terapia disponível aqui não é para torná-lo natural. Ninguém pode torná-lo natural — Deus já fez isso. O problema não é aprender a ser natural, mas como desaprender o artificial.

OSHO – Vá Com Calma, V2, # 7

"Minha ênfase aqui* é sobre as terapias que não duram anos e anos - bastam alguns dias de terapia para preparar o terreno para a meditação. A terapia não é o fim, a terapia é uma preparação, uma limpeza do terreno para a meditação.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Algo sobre o Tantra...


“A alquimia tântrica diz para não lutar, não reagir, não se opor; seja amigável com todas as energias que lhe são dadas. Dê-lhes boas vindas. Sinta-se agradecido por ter raiva, por ter sexo, por ter ganância. Sinta-se grato, porque estas são as fontes ocultas. E podem ser transformadas, podem ser abertas. E quando o sexo é transformado, ele se torna amor. O veneno se perde, a feiúra se perde”.


“A semente é feia. Mas, quando se torna viva brota e floresce. Então, é bela. Não jogue fora a semente, porque então estará também jogando as flores contidas nela. Elas ainda não se manifestaram para que você possa vê-las. Não se manifestaram, mas estão presentes. Use a semente para que você possa chegar às flores."


OSHO

terça-feira, 20 de maio de 2008

A NECESSIDADE DE SER RECONHECIDO



A Necessidade de Ser Reconhecido

Porque isso que sinto de que preciso ter aprovação e ser reconhecido, especialmente no meu trabalho?


Precisa ser lembrado que a necessidade de ter aprovação e de ser reconhecido é problema de todo mundo. Toda nossa estrutura de vida é tal que somos ensinados que a menos que haja reconhecimento não somos ninguém, não temos valor. O trabalho não é importante, mas sim o reconhecimento. E isso está pondo as coisas de cabeça para baixo. O trabalho deve ser importante.. . uma alegria em si mesmo. Você deve trabalhar, não para ser reconhecido, mas porque você gosta de ser criativo; você ama seu trabalho porque gosta do que faz.

Poucas pessoas foram capazes de escapar da armadilha que a sociedade preparou para vocês, como Vicent Van Gogh. Ele continuou pintando – faminto, sem ter onde morar, sem roupas, sem remédios, doente, mas continuou pintando. Nenhuma pintura era vendida, não havia reconhecimento de lugar algum, porém o mais estranho era que nessas condições ele ainda estava feliz... Feliz porque ele era capaz de pintar o que ele queria. Com ou sem reconhecimento, seu trabalho é intrinsecamente valioso.

Na idade de trinta e três anos ele cometeu suicídio – não por causa de alguma miséria, de angústia, não, mas simplesmente porque ele havia pintado sua último quadro, sobre o qual ele esteve trabalhando por quase um ano, um pôr do sol. Ele tentou dúzias de vezes, mas não ficava a altura de seu padrão e ele o destruía. Finalmente ele conseguiu pintar o pôr do sol da maneira que desejava.

Ele suicidou-se, escrevendo uma carta para o irmão, “Não estou cometendo suicídio por desespero. Estou me suicidando porque agora não há mais sentido em viver; meu trabalho está feito. Além do mais, tem sido difícil achar meios de sobrevivência. Mas isso foi bom porque eu tinha algum trabalho para fazer, algum potencial em mim precisava se tornar real. Isso floresceu, agora não faz sentido viver como um mendigo.
Até agora eu ainda não tinha nem mesmo pensado nisso, não tinha olhado para isso. Mas isso é a única coisa que resta. Floresci até meu ápice; estou realizado, e agora prolongar, encontrar meios de sobreviver, parece estúpido. Para que? Portanto não é um suicídio por minha causa, apenas chequei a uma realização, uma parada total, e alegremente estou deixando o mundo. Alegremente vivi, alegremente estou deixando o mundo”.

Agora, quase um século depois, cada uma de suas pinturas vale milhões de dólares. Existem somente duzentos quadros disponíveis. Ele deve ter pintado milhares, mas estes foram destruídos; ninguém deu muita atenção a eles.

Atualmente, possuir um dos quadros de Van Gogh significa que você tem um senso estético. A pintura dele lhe dá um reconhecimento. O mundo nunca teve qualquer reconhecimento pelo trabalho dele, mas ele nunca se importou. E é assim que deve ser a maneira de olhar as coisas.

Você trabalha se você ama seu trabalho. Não espere por reconhecimento. Se isso acontecer, aceite-o tranquilamente; se não acontecer, nem pense sobre isso. Sua realização deve estar no próprio trabalho. E se todos aprendessem essa simples arte de amar seu trabalho, qualquer que seja, desfrutando- o sem pedir por qualquer reconhecimento, teríamos um mundo mais bonito e celebrativo. Como é agora, o mundo lhe apanhou numa armadilha de um padrão miserável: O que você está fazendo não é bom porque você o ama, porque você o faz perfeitamente, mas porque o mundo o reconhece, o recompensa, lhe dá medalhas de ouro, prêmios Nobel.

Eles retiraram todo o valor intrínseco da criatividade e destruíram milhões de pessoas – porque vocês não podem dar prêmios Nobel a milhões de pessoas. E vocês criaram o desejo por reconhecimento em todos, assim ninguém pode trabalhar pacificamente, silenciosamente, desfrutando do que quer que esteja fazendo. E a vida consiste de pequenas coisas. Para essas coisas pequenas não há recompensas, nem títulos dados pelos governos, nem diplomas honorários dados pelas universidades.

Um dos maiores poetas deste século, Rabindranath Tagore, viveu em Bengal, Índia. Ele publicou sua poesia, suas novelas, no idioma Bengali – mas não teve nenhum reconhecimento. Então ele traduziu um pequeno livro, Gitanjali, “Offering of Songs”, para o inglês. E ele sabia que o original tem uma beleza que a tradução não tem e nem pode ter – porque essas duas línguas, Bengali e Inglês, possuem estruturas diferentes, maneiras de expressão diferentes.

Bengali é muito doce. Mesmo se você luta, parece que você está engajado numa bela conversa. Ela é muito musical; cada palavra é musical. A língua inglesa não possui essa qualidade e não pode ser trazida para este idioma; porque possuem qualidades diferentes. Mas de alguma maneira ele conseguiu traduzir e a tradução – que é uma coisa pobre comparada com o original – recebeu o prêmio Nobel. Então subitamente toda a Índia tornou-se cônscia... O livro esteve disponível em Bengali, em várias línguas indianas, por anos e ninguém deu qualquer atenção a isso.

Toda universidade queria dar a ele o Doutorado em Literatura. Calcutá , onde ele vivia, foi a primeira universidade, obviamente, a oferecer um diploma honorário a ele. Ele recusou. Ele disse, “Vocês não estão dando um diploma para mim; vocês não estão dando reconhecimento ao meu trabalho, vocês estão reconhecendo o prêmio Nobel, porque o livro estava aqui de uma maneira mais bonita e ninguém se incomodou nem mesmo para escrever uma avaliação”.

Ele se recusou a aceitar qualquer Doutorado em Literatura. Ele disse, “Isso é um insulto para mim”. Jean-Paul Sartre, um dos grandes novelistas, e um homem de tremendos insights na psicologia humana, recusou o prêmio Nobel. Ele disse, “Fui bastante recompensado enquanto criando meu trabalho. Um prêmio Nobel não pode acrescentar coisa alguma a isso; pelo contrário, me puxa para baixo. Isso pode ser bom para os amadores que estão em busca de reconhecimento; estou bastante velho, e já desfrutei o suficiente. Eu amei tudo que fiz. Isso foi sua própria recompensa, e não quero qualquer outra recompensa porque nada pode ser melhor do que isso que já recebi”. E ele estava certo. Mas as pessoas certas são tão poucas no mundo, e o mundo está repleto de pessoas erradas vivendo em armadilhas.

Porque você deveria se incomodar com reconhecimento? Incomodar-se com reconhecimento só tem sentido se você não ama seu trabalho; então isso é significativo, desse modo parece substituir. Você odeia seu trabalho, você não gosta dele, porém você o está fazendo porque haverá reconhecimento; você será apreciado, aceito. Ao invés de pensar em reconhecimento, reconsidere seu trabalho. Você o ama?... Então isso é o fim. Se você não o ama, então mude-o!

Os pais, os professores estão sempre enfatizando que você deve ser reconhecido, você deve ser aceito. Essa é uma estratégia muito esperta para manter as pessoas sob controle.

Sempre me diziam na minha universidade, “Você devia parar de fazer essas coisas... você continua fazendo perguntas as quais você sabe perfeitamente bem que não podem ser respondidas, e que colocam o professor numa situação embaraçosa. Você precisa parar com isso; do contrário essas pessoas irão se vingar. Eles possuem poder; eles podem lhe reprovar”.

Eu disse, “Isso não me interessa. Agora mesmo estou gostando de fazer perguntas e fazendo eles se sentirem ignorantes. Eles não são bastante corajosos para simplesmente dizer, ‘Eu não sei’. Então não haveria nenhum embaraço. Mas eles querem fingir que sabem tudo. Estou gostando disso; minha inteligência está ficando afiada. Quem se importa com os exames? Eles só podem me reprovar quando apareço para os exames – quem vai aparecer? Se eles têm a idéia de que podem me reprovar, eu não vou fazer as provas e irei permanecer na mesma classe. Eles terão que me aprovar apenas pelo medo de que novamente por mais um ano eles terão que me enfrentar!”

E todos eles me aprovaram e me ajudaram a passar de ano, porque queriam se livrar de mim. Para eles eu estava destruindo os outros estudantes, porque outros estudantes começaram a questionar coisas as quais eram aceitas por séculos sem qualquer questionamento.

Enquanto eu estava ensinando na universidade, a mesma coisa surgiu de um ângulo diferente. Agora eu estava perguntando aos estudantes questões para lhes chamar atenção de que todo conhecimento que eles adquiriram era emprestado, e que eles não sabiam nada. Eu disse a eles que os seus diplomas não me interessam, mas somente suas autênticas experiências – e eles não possuem nenhuma. Eles estão simplesmente repetindo livros que estão desatualizados; há muito que estes se provaram errados. Agora as autoridades da universidade estavam me ameaçando, “Se você continuar assim, embaraçando os estudantes, você será mandado embora da universidade” .

Eu disse, “Isso é estranho – Eu era um estudante e não podia fazer perguntas aos professores; agora sou um professor e não posso fazer perguntas aos alunos! Assim qual é a função dessa universidade? Devia ser um lugar onde questões são perguntadas, onde buscas iniciam. Respostas precisam ser encontradas não nos livros, porém na vida e na existência”.
Eu disse, “Vocês podem me mandar embora da universidade, mas lembrem-se, esses mesmos alunos, por causa de quem vocês estão me despedindo, irão incendiar toda a universidade” . Eu disse ao vice-reitor, “Você devia vir e ver minha classe”.

Ele não podia acreditar: na minha classe havia pelo menos duzentos alunos... e não havia mais nenhum espaço. Desse modo eles se sentavam em qualquer lugar que encontravam – nas janelas, no chão. Ele disse, “Que está acontecendo, porque você tem somente dez alunos?”

Eu disse, “Essas pessoas vieram para escutar. Eles deixaram suas classes; eles gostam de estar aqui. Essa aula é um dialogo. Não sou superior a eles, e não posso recusar qualquer um que venha para minha classe. Se ele é meu aluno ou não, isso não importa; se ele vem para me ouvir, ele é meu aluno. Na verdade vocês deviam me ceder o auditório. Essas salas de aula são muito pequenas para mim”.
Ele disse, “Auditório? Você quer dizer toda a universidade reunida no auditório? Então o que farão os outros professores?”
Eu disse, “Eles que se preocupem com isso. Eles que vão e se enforquem! Eles já deviam ter feito isso há muito tempo. Vendo que seus alunos não vão mais ouvi-los era indicação suficiente”.

Os professores ficaram zangados, as autoridades estavam zangadas. Finalmente eles tiveram que me ceder o auditório... Muito relutantemente, porque os estudantes os forçaram. Mas eles disseram, “Isso é estranho, estudantes que não têm nada a ver com filosofia, religião ou psicologia, porque eles iriam lá?”

Muitos estudantes falaram para o vice-reitor, “Nós gostamos disso. Nunca soubemos que filosofia, religião, psicologia pudesse ser tão interessante, tão intrigante; senão teríamos nos juntado a eles. Pensávamos que essas matérias fossem desinteressantes; que só tipos pedantes aderiam a elas. Nunca vimos pessoas de conteúdo ligada a essas matérias. Mas esse homem fez as matérias parecerem tão significantes que mesmo se formos reprovados em nossas próprias matérias, isso não importa. O que estamos fazendo está tão correto em si mesmo, e estamos tão certos disso, que a questão de mudar não existe”.

Contra reconhecimento, contra aceitação, contra diplomas... mas finalmente tive que deixar a universidade, não por causa das ameaças deles, mas porque percebi que se milhares de estudantes podem ser auxiliados por mim, isso é um desperdício. Posso ajudar milhões de pessoas pelo mundo afora. Porque deveria permanecer ligado a uma pequena universidade? O mundo inteiro pode se tornar minha universidade.

E vocês podem ver: Tenho sido condenado.

Esse foi o único reconhecimento que recebi.

Fui mal interpretado de todas as maneiras. Tudo que pode ser dito contra um homem foi dito contra mim; tudo que pode ser feito contra um homem foi feito contra mim. Vocês acham que isso é reconhecimento? Mas amo meu trabalho. Amo-o tanto que não o chamo de trabalho; simplesmente o chamo de minha alegria.

E todos que eram de algum modo mais antigos que eu, bem reconhecidos, me disseram, “O que você está fazendo não lhe dará nenhuma respeitabilidade no mundo”.
Mas eu disse, “Nunca pedi por isso, e não sei o que faria com a respeitabilidade. Não posso comê-la, não posso bebê-la”.

Aprendam uma coisa básica: Façam o que quiserem, amem o fazer, e nunca esperem por reconhecimento. Isso é mendigar. Porque deveríamos pedir por reconhecimento? Porque deveríamos ansiar por aceitação?

Olhe bem fundo em si mesmo. Talvez você não goste do que está fazendo, talvez esteja com medo de estar na trilha errada. A aceitação lhe ajudará a sentir que você está certo. Reconhecimento lhe fará sentir que você está indo na direção certa.

O problema é de seus próprios sentimentos íntimos; isso não tem nada a ver com o mundo exterior. E porque depender dos outros? Todas essas coisas dependem dos outros – você mesmo está se tornando dependente.

Não aceitarei nenhum prêmio Nobel. Toda essa condenação de todas as nações do mundo, de todas as religiões, é mais valiosa para mim. Aceitar o prêmio Nobel significa que estou me tornando dependente, agora não terei mais orgulho de mim e sim, orgulho do prêmio Nobel. Agora mesmo só posso ter orgulho de mim mesmo; não há nada mais de que possa me orgulhar.

Dessa maneira você se torna um individuo. E ser um individuo vivendo em total liberdade, sobre seus próprios pés, bebendo de suas próprias fontes, é o que faz um homem realmente centrado, enraizado. Esse é o início de seu florescimento definitivo.

Esses pessoas ditas reconhecidas, pessoas honradas, estão repletas de lixo e de nada mais. Mas estão cheias do lixo que a sociedade deseja para eles... e a sociedade os compensa dando-lhes recompensas.

Qualquer pessoa que possua algum senso de sua própria individualidade vive de seu próprio amor, de seu próprio trabalho, sem se importar no que os outros pensam disso. Quanto mais valioso for seu trabalho, menor a possibilidade de obter qualquer respeitabilidade por isso. E se seu trabalho for genial, então você não verá nenhum respeito em sua vida. Você será condenado em sua vida... assim, após dois ou três séculos, suas estátuas serão feitas, seus livros serão respeitados – porque leva quase dois ou três séculos para a humanidade reconhecer a inteligência que um gênio possui hoje. O intervalo é vasto.

Para ser respeitado por idiotas você tem que se comportar de acordo com o costume deles, de acordo com as expectativas deles. Para ser respeitado por essa humanidade enferma você precisa ser mais doente do que eles. Assim, eles lhe respeitarão. Mas o que você irá ganhar com isso? Você irá perder sua alma e não ganhará nada.



Osho, Extraído de: Beyond Psychology